domingo, 13 de maio de 2012

Fotografia

A vida se faz plana,
A estética vítrea.
Cores bruscas,
Traços leves.

A (ir)realidade
Forjada por segundos,
Ricos, hirtos,
Mudos.

A eternidade de um instante
Estampado num fragmento,
Sóbrio e sólido.

A palavra inexiste,
A voz cala,
O coração se expõe.

Os poros abertos, certos
Falam.
Enfrentados pela incertidão,
A inércia da vida.

A desconstrução da volatilidade antropomórfica
A partir da estagnação momentânea.
Um gesto,
Um olhar.

Um universo de respostas
Para poucas perguntas.
Fotografia.

domingo, 6 de maio de 2012

Ventura

Pelo percurso das ruas concomitantes,
Análogas;
Opostas;
Ali te vi.

Cantando com a mornidão
De suas palavras,
Que tornaram-se ecos
Pelas margens do tempo.

Tomados pela casualidade do acaso,
O tempo escorre,
Discorre,
E morre em nossos corações.

O doce dos toques.
Dos cantos amigos,
Da afabilidade dos risos,
Ainda ressoa.

E, por consequência
Da miséria dos dias,
Nossa ínfima alegria
Exauri-se.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Olhos



É como o véu noturno,
Negrume; indefinido;
Opaco,
Os teus olhos.

Miram a amplidão da distância,
Fecham-se diante do medo.
E do medo de se amendrontar,
Desviam.

Nestes olhos reflete a silhueta da alma
Bruta, pura.
Naturalmente intocável.

Pelas fragéis bordas de tuas pupilas,
Reside remota
A avidez de tua vida.