quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quem Sabe

Quem sabe quanto do seu tempo me resta?
Quem sabe quanto do seu peito me falta?
Seus olhos caem, minha voz aguarda.

Ele fica, mesmo que eu saia.
Ele volta, mesmo que eu parta.
Ele me prende, mesmo que eu saiba.

Meu coração se faz em outro.
Em outros braços, em outros risos,
Em outros beijos, em outros carinhos.

Me perco em mais voltas,
Em mais outras demoras,
Me lanço as velhas memórias.
Sem sair, sem existir.

Em um momento,
De âmago dilacerado,
Eu nos mato, nos acabo.

Partem, então, algumas;
Acabam muitas,
Nascem outras.

sábado, 10 de novembro de 2012

Um rio em mim

Minha nascente não se conhece
Minha origem se confunde
Meu curso se faz lento,
Minha inércia em um açude.

Em meus sulcos afundam as lembranças, as dores,
As extensões da minha voz,
Vastas, imanes.
Eis meu leito.

Me atravesso pelos meus traços,
Me perco em minhas quedas,
Caio nas minhas profundezas,
Me agarro nas minhas margens.

Da urgência, me faço em corredeiras.
Da solidão, um córrego.
Da indecisão, há intermitência.

Me espalho, estilhaço e viro outros
Sigo e caio em uma afluência.
Em meus princípios, não há fim.
Pelos estuários dos dias, transito,
Me filtro.

Me findo no deságue do mundo,
Na foz das palavras,
Onde sou tudo.

Assim me perpetuo, em águas.
Cursando a vida,
Nutrindo a existência,
Cortando a eternidade.