Quem sabe quanto do seu tempo me resta?
Quem sabe quanto do seu peito me falta?
Seus olhos caem, minha voz aguarda.
Ele fica, mesmo que eu saia.
Ele volta, mesmo que eu parta.
Ele me prende, mesmo que eu saiba.
Meu coração se faz em outro.
Em outros braços, em outros risos,
Em outros beijos, em outros carinhos.
Me perco em mais voltas,
Em mais outras demoras,
Me lanço as velhas memórias.
Sem sair, sem existir.
Em um momento,
De âmago dilacerado,
Eu nos mato, nos acabo.
Partem, então, algumas;
Acabam muitas,
Nascem outras.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
Um rio em mim
Minha nascente não se conhece
Minha origem se confunde
Meu curso se faz lento,
Minha inércia em um açude.
Em meus sulcos afundam as lembranças, as dores,
As extensões da minha voz,
Vastas, imanes.
Eis meu leito.
Me atravesso pelos meus traços,
Me perco em minhas quedas,
Caio nas minhas profundezas,
Me agarro nas minhas margens.
Da urgência, me faço em corredeiras.
Da solidão, um córrego.
Da indecisão, há intermitência.
Me espalho, estilhaço e viro outros
Sigo e caio em uma afluência.
Em meus princípios, não há fim.
Pelos estuários dos dias, transito,
Me filtro.
Me findo no deságue do mundo,
Na foz das palavras,
Onde sou tudo.
Assim me perpetuo, em águas.
Cursando a vida,
Nutrindo a existência,
Cortando a eternidade.
Minha origem se confunde
Meu curso se faz lento,
Minha inércia em um açude.
Em meus sulcos afundam as lembranças, as dores,
As extensões da minha voz,
Vastas, imanes.
Eis meu leito.
Me atravesso pelos meus traços,
Me perco em minhas quedas,
Caio nas minhas profundezas,
Me agarro nas minhas margens.
Da urgência, me faço em corredeiras.
Da solidão, um córrego.
Da indecisão, há intermitência.
Me espalho, estilhaço e viro outros
Sigo e caio em uma afluência.
Em meus princípios, não há fim.
Pelos estuários dos dias, transito,
Me filtro.
Me findo no deságue do mundo,
Na foz das palavras,
Onde sou tudo.
Assim me perpetuo, em águas.
Cursando a vida,
Nutrindo a existência,
Cortando a eternidade.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Um Certo Moço.
Naquela casa mora um certo moço
Que não diz nada,
Não se sabe o nome.
Esse certo moço,
Que não é menino nem homem,
Anda sem precisão.
A noite volta, sem sombra.
Traz consigo a sua assinatura,
A solidão de seus pensamentos.
Naquele moço
Pulsa um certo coração
Que de tão rugoso já não bate por alguém.
Aquele certo moço
Esquece-se de se esquecer
De umas certas outras vidas.
O moço já não aparece mais.
Talvez, de certa maneira,
Tenha ido viver mais errado.
Que não diz nada,
Não se sabe o nome.
Esse certo moço,
Que não é menino nem homem,
Anda sem precisão.
A noite volta, sem sombra.
Traz consigo a sua assinatura,
A solidão de seus pensamentos.
Naquele moço
Pulsa um certo coração
Que de tão rugoso já não bate por alguém.
Aquele certo moço
Esquece-se de se esquecer
De umas certas outras vidas.
O moço já não aparece mais.
Talvez, de certa maneira,
Tenha ido viver mais errado.
sábado, 6 de outubro de 2012
Una Dama Vieja
Te ibas bailando por las calles,
Te ibas arrestando mi pecho.
Me callabas en sonrisas,
Me enamorabas por el tacto.
Te ibas tirando la tibieza,
Te ibas saltando en mi miradas.
Emergías en mi sueños más fondos,
Vivias en mi pesadillas más muertas.
Te ibas haciendo sus caminos,
Te ibas recurriendolos sujetando mis dedos.
Así yo perpetuava nuestros días,
Acostado en tu piel dorada.
Pero el calor del tiempo
Se ha huido de tus manos lisas.
Te ibas llorando como la lluvia en Diciembre,
Te ibas cayendo en tus pasos tan despacios.
Te ibas olvidando de los rostros amigos,
Te ibas alenjándose de la vida.
Me quedo como un recuerdo
Y tú te vas como el viento.
Por tus ojos estoy cubierto de humo;
Eclipsado, borrado.
Te ibas quedando tan débil como vidrio,
Te ibas partindo quieta.
Me iba mirando tu cuerpo, incrédulo;
Me iba sentindo tu frío, terrible.
Tirado en la vida solo otra vez,
Entro ahora en la muerte
Te ibas arrestando mi pecho.
Me callabas en sonrisas,
Me enamorabas por el tacto.
Te ibas tirando la tibieza,
Te ibas saltando en mi miradas.
Emergías en mi sueños más fondos,
Vivias en mi pesadillas más muertas.
Te ibas haciendo sus caminos,
Te ibas recurriendolos sujetando mis dedos.
Así yo perpetuava nuestros días,
Acostado en tu piel dorada.
Pero el calor del tiempo
Se ha huido de tus manos lisas.
Te ibas llorando como la lluvia en Diciembre,
Te ibas cayendo en tus pasos tan despacios.
Te ibas olvidando de los rostros amigos,
Te ibas alenjándose de la vida.
Me quedo como un recuerdo
Y tú te vas como el viento.
Por tus ojos estoy cubierto de humo;
Eclipsado, borrado.
Te ibas quedando tan débil como vidrio,
Te ibas partindo quieta.
Me iba mirando tu cuerpo, incrédulo;
Me iba sentindo tu frío, terrible.
Tirado en la vida solo otra vez,
Entro ahora en la muerte
domingo, 9 de setembro de 2012
Os que falam calados
Se apenas me cabe o medo,
Já não tenho meios.
Se desço fundo em teus próprios receios
Já não tenho forças,
Já não tenho desejos.
Me viro e caio,
Nesse peito fraco.
Me calo, pálido,
Num sorriso falho.
Me faço um,
Quando há mais três.
Eu tomo um rumo,
Sem ter minha vez.
Eu quero o não
Quando só digo sim.
Eu nasci no meio,
Empurrado em um fim.
Em algum motivo raso
Acho minha saída.
Em algum pretexto gasto,
Me ausento dessas alternativas.
Me recai o peso do ferro oxidado
Da escolha bruta,
Que escoa pela carne fria,
Na quente labuta.
Talha o rosto,
Atravessa o corpo,
Por fim desaba crua
As dobras da larga culpa.
Não seria escárnio de si
Estar em silêncio?
Não seria inconcebível
Permanecer sempre em movimento?
Já não tenho meios.
Se desço fundo em teus próprios receios
Já não tenho forças,
Já não tenho desejos.
Me viro e caio,
Nesse peito fraco.
Me calo, pálido,
Num sorriso falho.
Me faço um,
Quando há mais três.
Eu tomo um rumo,
Sem ter minha vez.
Eu quero o não
Quando só digo sim.
Eu nasci no meio,
Empurrado em um fim.
Em algum motivo raso
Acho minha saída.
Em algum pretexto gasto,
Me ausento dessas alternativas.
Me recai o peso do ferro oxidado
Da escolha bruta,
Que escoa pela carne fria,
Na quente labuta.
Talha o rosto,
Atravessa o corpo,
Por fim desaba crua
As dobras da larga culpa.
Não seria escárnio de si
Estar em silêncio?
Não seria inconcebível
Permanecer sempre em movimento?
sábado, 8 de setembro de 2012
Meio Corpo
Andava a pequenos
passos. Gélida era a noite, ainda não havia claridade.
Andava. Pernoitando
errante nas ruas, desabitadas,ermas, distantes; seguindo os seus
sons, incertos; rompendo os brados em ecos ressoantes, reverberados
dos amparos e das casualidades perdidas. Mirava o céu cego, era
fácil viver.
O passo ainda torto, a
voz já amassada, o rosto partido, a visão mais conturbada. Eu podia
sentir o aroma do passado. Apanhando a vergonha pelas mãos, pobres
de toques, o calor era uma miragem ingrata.
Alguns sons emitidos,
algumas ideias reviradas; ainda frio. À frente a indiferença, o que
se sabe não saber, o fim velado; atrás o desprazer, o desvalor, o
remorso.
Gostava daquela canção.
Meu peito dói. Vejo as notas e seu canto por cima dos ouvidos, já
débeis, numa melodia familiar, num tom meu, no que era meu. O gosto
da reprovação agora enchia.
Mais um pouco de mais
alguns minutos calavam as poucas expectativas, a prorrogação de
mais injúrias. A mente desligara-se. Restava o corpo, oco e bruto,
irregular, preso ao descompasso.
Passos em busca de
falsos rumos. Não há ar mais pesado, gosto mais acre,
paisagem mais finada do que a desilusão.
A confiança morta, o
amor exaurido, os dias inertes. Tropeço. O sangue mostra o desapego
que se cria. O futuro é breve, sem obstinações e promessas.
Assim como a noite, a
água toca a pele de modo suave e frio. Envolve as mágoas, cala as
dores. Saltam, agora, as memórias. Os rostos ainda vermelhos pelo
toque do sol, os abraços dados, os beijos trocados.
O negror aproxima-se
atroz, os anseios desaparecem desafinados, o grito se cala, a carne
contrai e pulsa numa teimosia, num desespero irracional por
manter-se. Da convulsão da voz, do pânico dos nervos, nasce a
partida, a deixa. Nasce o fim.
sábado, 18 de agosto de 2012
Não leia
Se por acaso minhas mãos fincarem,
E então meus braços firmarem,
Não toque.
Minha voz estilhaçada, seca,
Aluviada pelas tormentas.
Não diga.
Inquieto, inapto a se conjurar
Resilente nessas passagens obrigatórias
Onde se diz haver...
A profusão das negações,
As inquietações das minhas incertezas,
As origens dos meus hiatos.
Não me reprove,
Com essas vozes altivas,
Com essa razão egoísta.
Não me prove,
Com essas frases amassadas,
Com suas ludibriações enfadadas.
Não questione,
As incertezas dos meus rumos,
O futuro dos meus paradeiros.
Se não permaneces comigo,
Leva planos consigo,
Não leia.
E então meus braços firmarem,
Não toque.
Minha voz estilhaçada, seca,
Aluviada pelas tormentas.
Não diga.
Inquieto, inapto a se conjurar
Resilente nessas passagens obrigatórias
Onde se diz haver...
A profusão das negações,
As inquietações das minhas incertezas,
As origens dos meus hiatos.
Não me reprove,
Com essas vozes altivas,
Com essa razão egoísta.
Não me prove,
Com essas frases amassadas,
Com suas ludibriações enfadadas.
Não questione,
As incertezas dos meus rumos,
O futuro dos meus paradeiros.
Se não permaneces comigo,
Leva planos consigo,
Não leia.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Sem dias
Com Lucas Dantas
Sem horas pra contar,
Sem palavras pra tecer,
Sem melodia pra cantar,
Sem chão pra viver.
Sem falta pra sentir,
Sem rumo pra tomar,
Sem alegria pra sorrir,
Sem mundo pra decifrar.
Vou discorrendo o morto tempo,
Na passividade do instante,
Na constância dos embargos,
Ao som de meu peito errante.
Às margens do rio,
Persisto vagando,
Entre vidas e mortes,
Sombrio encanto.
Sem prazo pra voltar,
Sem lágrimas pra escorrer,
Sem rumo pra caminhar,
Sem saída pra viver.
Encontro o paraíso,
O embelezar da alvorada,
Na beleza de sua tolice,
Na imensidão de sua estrada.
Sem horas pra contar,
Sem palavras pra tecer,
Sem melodia pra cantar,
Sem chão pra viver.
Sem falta pra sentir,
Sem rumo pra tomar,
Sem alegria pra sorrir,
Sem mundo pra decifrar.
Vou discorrendo o morto tempo,
Na passividade do instante,
Na constância dos embargos,
Ao som de meu peito errante.
Às margens do rio,
Persisto vagando,
Entre vidas e mortes,
Sombrio encanto.
Sem prazo pra voltar,
Sem lágrimas pra escorrer,
Sem rumo pra caminhar,
Sem saída pra viver.
Encontro o paraíso,
O embelezar da alvorada,
Na beleza de sua tolice,
Na imensidão de sua estrada.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Uma hora
Por onde andarão teus risos?
Por onde passará teu olhar?
Será que eu ainda faço parte dos teus vícios?
Ou será que eu acabei de acabar?
Talvez eu esteja no limbo,
Talvez esteja em nenhum lugar.
Provavelmente eu sou o teu vazio,
O qual já não deve ter espaço para me ocupar.
Como será que chamam o teu nome?
Como será que andam tuas tardes?
Vivo preso neste coração covarde,
Cheio de mágoas, sufocado por alardes.
Como será que ecoam as tuas palavras?
Ainda suaves ao vento?
Ou já arrematadas pelo tempo?
Como eu irei ficar?
Olvidado pelos dias;
Admirado, te vendo passar
Entre versos e linhas,
Sem poder te acompanhar.
Por onde passará teu olhar?
Será que eu ainda faço parte dos teus vícios?
Ou será que eu acabei de acabar?
Talvez eu esteja no limbo,
Talvez esteja em nenhum lugar.
Provavelmente eu sou o teu vazio,
O qual já não deve ter espaço para me ocupar.
Como será que chamam o teu nome?
Como será que andam tuas tardes?
Vivo preso neste coração covarde,
Cheio de mágoas, sufocado por alardes.
Como será que ecoam as tuas palavras?
Ainda suaves ao vento?
Ou já arrematadas pelo tempo?
Como eu irei ficar?
Olvidado pelos dias;
Admirado, te vendo passar
Entre versos e linhas,
Sem poder te acompanhar.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Paradeiro
Não sei de tudo,
Não sei o que passa,
Não sei o que une,
Tampouco o que separa.
Digo o que vem,
Repito o que foi.
Nesse ínterim de tempos
Eu digo o que sou.
Com essa forma de me gerar,
De me justificar,
Inerente a minha sombra.
Alva.
Nesse rumo mentecapto
Onde me torno sorvente
De meios desejos,
De sonhos póstumos.
Não sei o que passa,
Não sei o que une,
Tampouco o que separa.
Digo o que vem,
Repito o que foi.
Nesse ínterim de tempos
Eu digo o que sou.
Com essa forma de me gerar,
De me justificar,
Inerente a minha sombra.
Alva.
Nesse rumo mentecapto
Onde me torno sorvente
De meios desejos,
De sonhos póstumos.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Um miúdo
Os poucos novos sambas dizem
O que os velhos gastos ditos ditavam:
O comando do maior
Sob a servência do menor.
Pois onde reflete a luz do ouro
Cava-se o jazigo de mais um outro,
De uma vida rastejada em um pouco,
E quando quisera um pouco mais,
Esgotara-se.
O passo de uma tarde
Também passa a contagem
Dos minutos, últimos
De mais um alguém.
Que se vira na fome,
Na bizarra dança febril
Que se rompe, se gasta,
Corrói.
Mirando no espelho,
A amargura diária,
A insipidez de um sangue
Não mais vermelho.
O que os velhos gastos ditos ditavam:
O comando do maior
Sob a servência do menor.
Pois onde reflete a luz do ouro
Cava-se o jazigo de mais um outro,
De uma vida rastejada em um pouco,
E quando quisera um pouco mais,
Esgotara-se.
O passo de uma tarde
Também passa a contagem
Dos minutos, últimos
De mais um alguém.
Que se vira na fome,
Na bizarra dança febril
Que se rompe, se gasta,
Corrói.
Mirando no espelho,
A amargura diária,
A insipidez de um sangue
Não mais vermelho.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Um centímetro
Chego em um ponto
Onde não há encontro,
Onde não há desencontro,
Onde não vejo solução.
Chego em um dia
Recamado de agonias,
De silêncio nas alegrias.
De pausas.
Chego em uma noite
De avanços plácidos,
Repletas de trovas
Em vozes ignotas.
Chego em um toque,
Em um motivo torpe,
Num presságio,
Num minuto fadado.
Me acabo em uma rima quebrada,
Em um verso incompleto.
Que me faz desejar
Voltar para o início do meio.
Percorrer as faixas de algum tempo
Em que vivi,
Sem sequer existir.
Me dou em fatos,
Evito os estragos,
Passeio nos presságios,
Para voltar donde eu nunca saio.
Onde não há encontro,
Onde não há desencontro,
Onde não vejo solução.
Chego em um dia
Recamado de agonias,
De silêncio nas alegrias.
De pausas.
Chego em uma noite
De avanços plácidos,
Repletas de trovas
Em vozes ignotas.
Chego em um toque,
Em um motivo torpe,
Num presságio,
Num minuto fadado.
Me acabo em uma rima quebrada,
Em um verso incompleto.
Que me faz desejar
Voltar para o início do meio.
Percorrer as faixas de algum tempo
Em que vivi,
Sem sequer existir.
Me dou em fatos,
Evito os estragos,
Passeio nos presságios,
Para voltar donde eu nunca saio.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Eco(ar)
O passo que pisoteia o chão
É o passo que funda a contradição,
Que inaugura a dúbia visão:
Esquerda, peculiar.
Rompe as ludibriações
De doces imagens
Em sílabas covardes,
Trêmulas.
De uma vida sujeita a viagens,
Formada por encontros,
Quebrada por desencontros,
Manchada de saudades.
De vertigens crescentes,
Em versos frequentes,
Por céus de cinzas,
Cinza de pele.
A fala que ilustra e transpassa
A falência do tato,
A carência dos feitos.
Uma covardia de contar.
O conto que nasce do canto,
De um talvez ,
Uma avenida vespertina
De inatividade e incapacidade.
Voltas longas, largas
Em torno da busca,
Da necessidade,
De algumas poucas palavras.
Uma força, possivelmente, uma emoção
Que acorda nos breves instantes,
Dorme, torce e morre
Em horas frívolas.
Desta lente o empenho,
Contínuo e presente,
É o parto do eco.
A dor no prazer.
É o passo que funda a contradição,
Que inaugura a dúbia visão:
Esquerda, peculiar.
Rompe as ludibriações
De doces imagens
Em sílabas covardes,
Trêmulas.
De uma vida sujeita a viagens,
Formada por encontros,
Quebrada por desencontros,
Manchada de saudades.
De vertigens crescentes,
Em versos frequentes,
Por céus de cinzas,
Cinza de pele.
A fala que ilustra e transpassa
A falência do tato,
A carência dos feitos.
Uma covardia de contar.
O conto que nasce do canto,
De um talvez ,
Uma avenida vespertina
De inatividade e incapacidade.
Voltas longas, largas
Em torno da busca,
Da necessidade,
De algumas poucas palavras.
Uma força, possivelmente, uma emoção
Que acorda nos breves instantes,
Dorme, torce e morre
Em horas frívolas.
Desta lente o empenho,
Contínuo e presente,
É o parto do eco.
A dor no prazer.
sábado, 30 de junho de 2012
Entreposto
Com Bruna Leandro.
Eu quebro os dias em horas fundas,
Fundo os dias em horas rasas
Crio em poucos momentos,
Grandes lástimas.
Conto a vida com pouca voz,
Em peito vago,
Digo a palavra em mão atroz
E coração estático.
O meu tempo arrasta-se lento
Condenado ao ócio,
Meus risos logram da antítese
Eterna com meu coração.
Sinto no mundo o frenesi,
As ideias, os caminhos,
A inanidade de ser eterno,
Entreposto.
Eu quebro os dias em horas fundas,
Fundo os dias em horas rasas
Crio em poucos momentos,
Grandes lástimas.
Conto a vida com pouca voz,
Em peito vago,
Digo a palavra em mão atroz
E coração estático.
O meu tempo arrasta-se lento
Condenado ao ócio,
Meus risos logram da antítese
Eterna com meu coração.
Sinto no mundo o frenesi,
As ideias, os caminhos,
A inanidade de ser eterno,
Entreposto.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Ato
No fio,
Torto,
Roto,
Morto.
Na ida,
Finda,
Rica,
Hirta.
A falta de harmonia,
Do caos em veia destrutiva,
Compatibilidade sem rima.
Na persuasão de sentidos,
Na mordidez dos risos,
Rasos,
Inexatos.
Olhares sem mira,
Palavras inimigas.
Apenas Vida.
Torto,
Roto,
Morto.
Na ida,
Finda,
Rica,
Hirta.
A falta de harmonia,
Do caos em veia destrutiva,
Compatibilidade sem rima.
Na persuasão de sentidos,
Na mordidez dos risos,
Rasos,
Inexatos.
Olhares sem mira,
Palavras inimigas.
Apenas Vida.
sábado, 23 de junho de 2012
Acordo Pós-Nupcial
O tear de um dia
Coserá enlaços e percalços,
Para que teus passos
Andem.
Poste a fronte à frente,
E digas da boca
Tuas palavras fracas,
Teus choros fortes.
Bebas da tua vaidade,
O fulgor da miséria acre,
Que perfura o impenetravel
E renova o imutável.
Observe tua síncope mascarada,
Extensa e fraca,
Na robustez, morta.
Eduque teu coração
À exclusiva vibração,
À desafinada pulsação,
À tua única opção.
Logre a imagem maior que vês,
Sinta-a, aprecie-a,
Cortejas o exemplo de sabedoria,
Reafirme neste sua soberania.
Não repudie,sobretudo, desmereça.
Evite cativar o rijo osso,
Que por consequência de malfeitorias
Amaciará teu rosto.
Sejas branda,
Sejas útil,
Povoes o chão que pisas,
Abastecendo-o com repletos varões
Reserva tua ternura,
Teu afeto,
Abdique da compostura,
Pelo teu único e eterno amor.
Coserá enlaços e percalços,
Para que teus passos
Andem.
Poste a fronte à frente,
E digas da boca
Tuas palavras fracas,
Teus choros fortes.
Bebas da tua vaidade,
O fulgor da miséria acre,
Que perfura o impenetravel
E renova o imutável.
Observe tua síncope mascarada,
Extensa e fraca,
Na robustez, morta.
Eduque teu coração
À exclusiva vibração,
À desafinada pulsação,
À tua única opção.
Logre a imagem maior que vês,
Sinta-a, aprecie-a,
Cortejas o exemplo de sabedoria,
Reafirme neste sua soberania.
Não repudie,sobretudo, desmereça.
Evite cativar o rijo osso,
Que por consequência de malfeitorias
Amaciará teu rosto.
Sejas branda,
Sejas útil,
Povoes o chão que pisas,
Abastecendo-o com repletos varões
Reserva tua ternura,
Teu afeto,
Abdique da compostura,
Pelo teu único e eterno amor.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Quando a vida passar.
O acaso talvez se encarregue de pensar
Nas possibilidades de um acerto,
De um erro,
Do modo em que se vê.
Olhar pra trás e sentir,
O que se sente de segunda vez.
Redescobrir um instante,
No abraço áspero da nostalgia.
Respirar o ar alvacento
Com a lembrança de silhuetas,
Moças,
Soltas ao vento.
Colher os pormenores,
Saudar o passado,
Criar saudade.
Esquecer-se da "metria"
Distanciando a partir do tempo,
Os anos rasos
Dos anos largos.
Quando a vida passar,
Veremos o tempo inexistir,
A realidade se esvair,
E o fim calar.
Nas possibilidades de um acerto,
De um erro,
Do modo em que se vê.
Olhar pra trás e sentir,
O que se sente de segunda vez.
Redescobrir um instante,
No abraço áspero da nostalgia.
Respirar o ar alvacento
Com a lembrança de silhuetas,
Moças,
Soltas ao vento.
Colher os pormenores,
Saudar o passado,
Criar saudade.
Esquecer-se da "metria"
Distanciando a partir do tempo,
Os anos rasos
Dos anos largos.
Quando a vida passar,
Veremos o tempo inexistir,
A realidade se esvair,
E o fim calar.
domingo, 10 de junho de 2012
Diz-me
Quando em tuas agonias
Afogas-te em desespero,
Quando em tua noite
Não houver manto estrelado;
Diz-me.
Quando em teus prantos
Não houver mais ar,
E o ar que respiras ferir-te.
Diz-me.
Quando o ardente Sol dourado
Parecer-lhe Lua gélida vazia,
Diz-me.
Quando as doces semanas
Transformarem-se em meses áridos,
Diz-me.
Diz-me teus preconceitos,
Teus defeitos,
Teus desejos,
Teus segredos.
Diz-me sobre teus dias azuis,
Como o céu de verão,
Cativo e resplandecente.
Diz-me sobre teu coração,
Altivo e frágil.
Sobre tua razão,
Excêntrica e exótica.
Sobre tua cautela,
Maníaca e incerta.
Sobre teus afagos,
Extensos e sutis.
Diz-me o teu quereres
Que "ganha liberdade na amplidão".
Diz-me onde passea a tua vida,
Que digo como a minha se juntará a tua.
Afogas-te em desespero,
Quando em tua noite
Não houver manto estrelado;
Diz-me.
Quando em teus prantos
Não houver mais ar,
E o ar que respiras ferir-te.
Diz-me.
Quando o ardente Sol dourado
Parecer-lhe Lua gélida vazia,
Diz-me.
Quando as doces semanas
Transformarem-se em meses áridos,
Diz-me.
Diz-me teus preconceitos,
Teus defeitos,
Teus desejos,
Teus segredos.
Diz-me sobre teus dias azuis,
Como o céu de verão,
Cativo e resplandecente.
Diz-me sobre teu coração,
Altivo e frágil.
Sobre tua razão,
Excêntrica e exótica.
Sobre tua cautela,
Maníaca e incerta.
Sobre teus afagos,
Extensos e sutis.
Diz-me o teu quereres
Que "ganha liberdade na amplidão".
Diz-me onde passea a tua vida,
Que digo como a minha se juntará a tua.
Mensagem
Eu te enviei uma carta,
Pra ver se aquelas palavras,
Aquelas lembranças,
Avivam teu coração.
Pra trazer de volta
Os toques,
As vozes,
De outrora.
Pela falta do riso
Que roda, desdobra
E mora na memória.
Porque vive sem existir,
Morre por partir,
Buscando apenas sonhos por vir.
A fronte alva;
A palavra simpática;
Uma dança pacata.
Repleta era a alegria.
Entre as vírgulas que nos calam,
Os pontos que nos separam,
Eu desenho a velha e terna vida
Entre nós.
Pra ver se aquelas palavras,
Aquelas lembranças,
Avivam teu coração.
Pra trazer de volta
Os toques,
As vozes,
De outrora.
Pela falta do riso
Que roda, desdobra
E mora na memória.
Porque vive sem existir,
Morre por partir,
Buscando apenas sonhos por vir.
A fronte alva;
A palavra simpática;
Uma dança pacata.
Repleta era a alegria.
Entre as vírgulas que nos calam,
Os pontos que nos separam,
Eu desenho a velha e terna vida
Entre nós.
sábado, 9 de junho de 2012
Eloquência
Já não digo as palavras certas,
Nem entoo novos tons.
Emudeço-me ao longo dos dias.
O peso vertiginoso da fala
Transcorre pelo corpo,
Rompe a voz em crua rouquidão.
Uma mudez que me percorre pelos sentidos,
Atando-me a constante paralisação.
Vago pelos dias em inexpressão.
Meu choro não nasce de mágoas incompletas,
Mas de vis sentimentos
Vindos de pérfidas horas distantes.
Esboçado pelas culpas pegadiças,
Apenas geradas pelo desalento
De um mundo vazio.
Eu digo vazio.
Retalhado de insatisfações,
Talhado por afirmações.
Ausente de pormenores,
Mantendo a constância
De caprichos maiores.
Desejaria o vigor emotivo,
A locomoção eloquente,
Do que a voz poente.
Sigo a orientação,
Cega e antônima,
A fim de quedar no recanto dos dias.
Aqueles ditos repetidos
Prolongam a fluência de mais outros.
Eu reverbero.
Adentro,
Nessa inaptidão rouca,
De raras palavras e muitos cárceres.
Nem entoo novos tons.
Emudeço-me ao longo dos dias.
O peso vertiginoso da fala
Transcorre pelo corpo,
Rompe a voz em crua rouquidão.
Uma mudez que me percorre pelos sentidos,
Atando-me a constante paralisação.
Vago pelos dias em inexpressão.
Meu choro não nasce de mágoas incompletas,
Mas de vis sentimentos
Vindos de pérfidas horas distantes.
Esboçado pelas culpas pegadiças,
Apenas geradas pelo desalento
De um mundo vazio.
Eu digo vazio.
Retalhado de insatisfações,
Talhado por afirmações.
Ausente de pormenores,
Mantendo a constância
De caprichos maiores.
Desejaria o vigor emotivo,
A locomoção eloquente,
Do que a voz poente.
Sigo a orientação,
Cega e antônima,
A fim de quedar no recanto dos dias.
Aqueles ditos repetidos
Prolongam a fluência de mais outros.
Eu reverbero.
Adentro,
Nessa inaptidão rouca,
De raras palavras e muitos cárceres.
domingo, 13 de maio de 2012
Fotografia
A vida se faz plana,
A estética vítrea.
Cores bruscas,
Traços leves.
A (ir)realidade
Forjada por segundos,
Ricos, hirtos,
Mudos.
A eternidade de um instante
Estampado num fragmento,
Sóbrio e sólido.
A palavra inexiste,
A voz cala,
O coração se expõe.
Os poros abertos, certos
Falam.
Enfrentados pela incertidão,
A inércia da vida.
A desconstrução da volatilidade antropomórfica
A partir da estagnação momentânea.
Um gesto,
Um olhar.
Um universo de respostas
Para poucas perguntas.
Fotografia.
A estética vítrea.
Cores bruscas,
Traços leves.
A (ir)realidade
Forjada por segundos,
Ricos, hirtos,
Mudos.
A eternidade de um instante
Estampado num fragmento,
Sóbrio e sólido.
A palavra inexiste,
A voz cala,
O coração se expõe.
Os poros abertos, certos
Falam.
Enfrentados pela incertidão,
A inércia da vida.
A desconstrução da volatilidade antropomórfica
A partir da estagnação momentânea.
Um gesto,
Um olhar.
Um universo de respostas
Para poucas perguntas.
Fotografia.
domingo, 6 de maio de 2012
Ventura
Pelo percurso das ruas concomitantes,
Análogas;
Opostas;
Ali te vi.
Cantando com a mornidão
De suas palavras,
Que tornaram-se ecos
Pelas margens do tempo.
Tomados pela casualidade do acaso,
O tempo escorre,
Discorre,
E morre em nossos corações.
O doce dos toques.
Dos cantos amigos,
Da afabilidade dos risos,
Ainda ressoa.
E, por consequência
Da miséria dos dias,
Nossa ínfima alegria
Exauri-se.
Análogas;
Opostas;
Ali te vi.
Cantando com a mornidão
De suas palavras,
Que tornaram-se ecos
Pelas margens do tempo.
Tomados pela casualidade do acaso,
O tempo escorre,
Discorre,
E morre em nossos corações.
O doce dos toques.
Dos cantos amigos,
Da afabilidade dos risos,
Ainda ressoa.
E, por consequência
Da miséria dos dias,
Nossa ínfima alegria
Exauri-se.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Olhos
É como o véu noturno,
Negrume; indefinido;
Opaco,
Os teus olhos.
Miram a amplidão da distância,
Fecham-se diante do medo.
E do medo de se amendrontar,
Desviam.
Nestes olhos reflete a silhueta da alma
Bruta, pura.
Naturalmente intocável.
Pelas fragéis bordas de tuas pupilas,
Reside remota
A avidez de tua vida.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Bálsamo
A chaga de mais um dia
Na leveza de mais umas poucas horas.
Vãs, suaves.
Ora hirtas,
Ora espassas.
A distância na invencibilidade do tempo;
Ainda turvo,
Ainda interminável.
Ando por essa vida,
Esmaecendo seu verbo;
Calando a sua pressa;
Morrendo em tuas entranhas.
Dilacero-me.
Sem contexto,
Nem expectativas.
Para o tempo não há segurança,
A memória é o alento do tempo.
O suspiro do passado ainda vivo;
Por suas vozes inquebráveis,
Já me perdi,
Pelo avesso
Dos versos tortos
Da vida.
No conto mais rítmico,
Na vitalidade
Mais visceral,
Nos amores
Mais cegos,
No coração
Mais decassílabo,
Reside a invariável
Pureza da vida.
Na leveza de mais umas poucas horas.
Vãs, suaves.
Ora hirtas,
Ora espassas.
A distância na invencibilidade do tempo;
Ainda turvo,
Ainda interminável.
Ando por essa vida,
Esmaecendo seu verbo;
Calando a sua pressa;
Morrendo em tuas entranhas.
Dilacero-me.
Sem contexto,
Nem expectativas.
Para o tempo não há segurança,
A memória é o alento do tempo.
O suspiro do passado ainda vivo;
Por suas vozes inquebráveis,
Já me perdi,
Pelo avesso
Dos versos tortos
Da vida.
No conto mais rítmico,
Na vitalidade
Mais visceral,
Nos amores
Mais cegos,
No coração
Mais decassílabo,
Reside a invariável
Pureza da vida.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Cianeto
Murmuro aos ecos,
Inóspitos e impérvios,
Galgados à destruição.
Esmeros impregnados
Esvaíssem.
A morte de mais um dia
Dizima a vitalidade,
Enfraquece a tolerância,
Subjulga o âmago.
A mente definha,
Em colo manso
E brado forte.
Nada se faz,
Apenas repousa.
De penumbras furtivas,
Geme o nervo,
O dorso da existência
validada.
Fada realidade,
Em veemência a forma,
Eclode o desequilíbrio.
Pelas bordas,
Secas e quebradiças.
Desvalor!
Constante retração,
De mãos frias,
Olhos lúgubres,
Peito vazio
E voz embargada.
Inóspitos e impérvios,
Galgados à destruição.
Esmeros impregnados
Esvaíssem.
A morte de mais um dia
Dizima a vitalidade,
Enfraquece a tolerância,
Subjulga o âmago.
A mente definha,
Em colo manso
E brado forte.
Nada se faz,
Apenas repousa.
De penumbras furtivas,
Geme o nervo,
O dorso da existência
validada.
Fada realidade,
Em veemência a forma,
Eclode o desequilíbrio.
Pelas bordas,
Secas e quebradiças.
Desvalor!
Constante retração,
De mãos frias,
Olhos lúgubres,
Peito vazio
E voz embargada.
domingo, 18 de março de 2012
Monólogo entre quatro paredes.
De hora em hora, venho pôr-me debruçado a esta escrivaninha, admirando a luz amarela e rodopiando a esferográfica. Inquieto, pelos saltos da consciência hiperativa e energética na penumbra da noite.Esse fluxo constante e desafinado de ideias, raciocínios e afins, importuna violentamente o meu bem-estar físico. É exaustivo, degrada a energia e o corpo o qual me pus a viver.
Não me presto a julgar este comportamento ou condená-lo, relato, apenas. Como um mecanismo tranquilizante, cujo o propósito tende a amenizar.
Embora, as noites nubladas tragam niilismos perseverantes, encaro este manifesto compulsivo como um aspecto próprio, pessoal. De mim partem essas ideias insanas, esses prolóquios errantes, essas falas descontextualizadas. Sou eu. Na faceta mais inoportuna e ingrata que há.
Esses minutos eternizam o tráfego incessante. As mãos doem; o corpo reclama; os olhos protestam, mas a mente fala.
Não me presto a julgar este comportamento ou condená-lo, relato, apenas. Como um mecanismo tranquilizante, cujo o propósito tende a amenizar.
Embora, as noites nubladas tragam niilismos perseverantes, encaro este manifesto compulsivo como um aspecto próprio, pessoal. De mim partem essas ideias insanas, esses prolóquios errantes, essas falas descontextualizadas. Sou eu. Na faceta mais inoportuna e ingrata que há.
Esses minutos eternizam o tráfego incessante. As mãos doem; o corpo reclama; os olhos protestam, mas a mente fala.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Distraído
Do telhado, vi
O azul mais celeste que tinha,
O branco mais alvo da vida.
Do telhado, vi
Toda pequenez tornar-se mundo.
E toda a vida,
Um grão.
Eu, agora um,
Deito na imprevisibilidade,
Na imposição da incerteza.
Tudo pelo qual seria,
Sempre nunca será,
Ao menos pelo que foi.
Um sorriso,
uma palavra,
dentro de um grão.
O azul mais celeste que tinha,
O branco mais alvo da vida.
Do telhado, vi
Toda pequenez tornar-se mundo.
E toda a vida,
Um grão.
Eu, agora um,
Deito na imprevisibilidade,
Na imposição da incerteza.
Tudo pelo qual seria,
Sempre nunca será,
Ao menos pelo que foi.
Um sorriso,
uma palavra,
dentro de um grão.
sábado, 10 de março de 2012
Dualidade una
A cada passo que se dá, está contido o unilateralismo. É o combustível inicial da realidade, de fato, sua composição. A realidade é criada por vários, vivida por vários e descrita por vários. É pessoal, mutante. Apenas semelhante na pose cognitiva que se faz dela, nos pertence.
A sua idealização, porém, parte de uma ironia. A realidade cria-se através do plano estático, do ambiente onde se está acerca e a observação da relação entre o determinado espaço e o indivíduo. Logo essa análise nasce de uma visão parcial e repleta de valores pessoais sobre ocorrências vividas, adicionando relatividade no uno e íntegro aspecto da factual realidade.
Trata-se de uma convenção que busca uniformizar este “amálgama espaço-temporal” presente nos parâmetros sociais. Um conceito, formalmente, fechado devido sua rigidez idealística, porém híbrido em suas origens.
A realidade passa a ser um olhar único a respeito do múltiplo, e o estudo de suas características é próprio. A contrariedade da realidade evidencia o seu aspecto mais íntimo e básico, o teor humano. Logo, esse sistema de conexão entre espaço e indivíduo parte somente do segundo, marginalizando as situações próprias do espaço, apenas sendo explicitado: o indivíduo.
Esse aspecto configura a maior irregularidade do íntegro plano que norteia a vida de cada ser humano, e descumpre o propósito o qual a realidade foi criada. Sua visão demonstrativa que buscava, de forma coerente, inteirar o ambiente ao ser humano, mostra-se pouco ilustrativa.
A sua idealização, porém, parte de uma ironia. A realidade cria-se através do plano estático, do ambiente onde se está acerca e a observação da relação entre o determinado espaço e o indivíduo. Logo essa análise nasce de uma visão parcial e repleta de valores pessoais sobre ocorrências vividas, adicionando relatividade no uno e íntegro aspecto da factual realidade.
Trata-se de uma convenção que busca uniformizar este “amálgama espaço-temporal” presente nos parâmetros sociais. Um conceito, formalmente, fechado devido sua rigidez idealística, porém híbrido em suas origens.
A realidade passa a ser um olhar único a respeito do múltiplo, e o estudo de suas características é próprio. A contrariedade da realidade evidencia o seu aspecto mais íntimo e básico, o teor humano. Logo, esse sistema de conexão entre espaço e indivíduo parte somente do segundo, marginalizando as situações próprias do espaço, apenas sendo explicitado: o indivíduo.
Esse aspecto configura a maior irregularidade do íntegro plano que norteia a vida de cada ser humano, e descumpre o propósito o qual a realidade foi criada. Sua visão demonstrativa que buscava, de forma coerente, inteirar o ambiente ao ser humano, mostra-se pouco ilustrativa.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Oco
Perto do nada
Onde ecoam
Meus dizeres,
O verbo é estático
e incompleto.
O tempo é retrógrado
e finito.
O espaço é descontínuo
e disforme.
Implode o sentimentalismo,
Afasta-se a confortabilidade,
E muda-se o sentido.
Nas metades e pelos inversos,
Passea o som
da minha vida.
Onde ecoam
Meus dizeres,
O verbo é estático
e incompleto.
O tempo é retrógrado
e finito.
O espaço é descontínuo
e disforme.
Implode o sentimentalismo,
Afasta-se a confortabilidade,
E muda-se o sentido.
Nas metades e pelos inversos,
Passea o som
da minha vida.
Exclusão Natural
Há vida,
Plural,
Diversa,
Singular,
Própria.
Fazem-se palavras,
Gestos,
Olhares.
Mas não há espaço para o desconcerto,
Para o roto,
Para o impróprio,
Para o despedaço.
Ocorre emancipação pela órbita,
Desagregação do apego moral,
Da vítima da condição,
Da alma.
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