O passo que pisoteia o chão
É o passo que funda a contradição,
Que inaugura a dúbia visão:
Esquerda, peculiar.
Rompe as ludibriações
De doces imagens
Em sílabas covardes,
Trêmulas.
De uma vida sujeita a viagens,
Formada por encontros,
Quebrada por desencontros,
Manchada de saudades.
De vertigens crescentes,
Em versos frequentes,
Por céus de cinzas,
Cinza de pele.
A fala que ilustra e transpassa
A falência do tato,
A carência dos feitos.
Uma covardia de contar.
O conto que nasce do canto,
De um talvez ,
Uma avenida vespertina
De inatividade e incapacidade.
Voltas longas, largas
Em torno da busca,
Da necessidade,
De algumas poucas palavras.
Uma força, possivelmente, uma emoção
Que acorda nos breves instantes,
Dorme, torce e morre
Em horas frívolas.
Desta lente o empenho,
Contínuo e presente,
É o parto do eco.
A dor no prazer.
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