sábado, 30 de junho de 2012

Entreposto

                                                                                                    Com Bruna Leandro.

Eu quebro os dias em horas fundas,                                    
Fundo os dias em horas rasas
Crio em poucos momentos, 
Grandes lástimas.

Conto a vida com pouca voz,
Em peito vago,
Digo a palavra em mão atroz
E coração estático.

O meu tempo arrasta-se lento
Condenado ao ócio,
Meus risos logram da antítese
Eterna com meu coração.

Sinto no mundo o frenesi,
As ideias, os caminhos,
A inanidade de ser eterno,
Entreposto. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ato

No fio,
Torto,
Roto,
Morto.

Na ida,
Finda,
Rica,
Hirta.

A falta de harmonia,
Do caos em veia destrutiva,
Compatibilidade sem rima.

Na persuasão de sentidos,
Na mordidez dos risos,
Rasos,
Inexatos.

Olhares sem mira,
Palavras inimigas.
Apenas Vida.

sábado, 23 de junho de 2012

Acordo Pós-Nupcial

O tear de um dia
Coserá enlaços e percalços,
Para que teus passos
Andem.

Poste a fronte à frente,
E digas da boca
Tuas palavras fracas,
Teus choros fortes.

Bebas da tua vaidade,
O fulgor da miséria acre,
Que perfura o impenetravel
E renova o imutável.

Observe tua síncope mascarada,
Extensa e fraca,
Na robustez, morta.

Eduque teu coração
À exclusiva vibração,
À desafinada pulsação,
À tua única opção.

Logre a imagem maior que vês,
Sinta-a, aprecie-a,
Cortejas o exemplo de sabedoria,
Reafirme neste sua soberania.

Não repudie,sobretudo, desmereça.
Evite cativar o rijo osso,
Que por consequência de malfeitorias
Amaciará teu rosto.

Sejas branda,
Sejas útil,
Povoes o chão que pisas,
Abastecendo-o com repletos varões

Reserva tua ternura,
Teu afeto,
Abdique da compostura,
Pelo teu único e eterno amor.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quando a vida passar.

O acaso talvez se encarregue de pensar
Nas possibilidades de um acerto,
De um erro,
Do modo em que se vê.

Olhar pra trás e sentir,
O que se sente de segunda vez.
Redescobrir um instante,
No abraço áspero da nostalgia.

Respirar o ar alvacento
Com a lembrança de silhuetas,
Moças,
Soltas ao vento.

Colher os pormenores,
Saudar o passado,
Criar saudade.

Esquecer-se da "metria"
Distanciando a partir do tempo,
Os anos rasos
Dos anos largos.

Quando a vida passar,
Veremos o tempo inexistir,
A realidade se esvair,
E o fim calar.

domingo, 10 de junho de 2012

Diz-me

Quando em tuas agonias
Afogas-te em desespero,
Quando em tua noite
Não houver manto estrelado;
Diz-me.
Quando em teus prantos
Não houver mais ar,
E o ar que respiras ferir-te.
Diz-me.
Quando o ardente Sol dourado
Parecer-lhe Lua gélida vazia,
Diz-me.
Quando as doces semanas
Transformarem-se em meses áridos,
Diz-me.
Diz-me teus preconceitos,
Teus defeitos,
Teus desejos,
Teus segredos.
Diz-me sobre teus dias azuis,
Como o céu de verão,
Cativo e resplandecente.
Diz-me sobre teu coração,
Altivo e frágil.
Sobre tua razão,
Excêntrica e exótica.
Sobre tua cautela,
Maníaca e incerta.
Sobre teus afagos,
Extensos e sutis.
Diz-me o teu quereres
Que "ganha liberdade na amplidão".
Diz-me onde passea a tua vida,
Que digo como a minha se juntará a tua.

Mensagem

Eu te enviei uma carta,
Pra ver se aquelas palavras,
Aquelas lembranças,
Avivam teu coração.

Pra trazer de volta
Os toques,
As vozes,
De outrora.

Pela falta do riso
Que roda, desdobra
E mora na memória.

Porque vive sem existir,
Morre por partir,
Buscando apenas sonhos por vir.

A fronte alva;
A palavra simpática;
Uma dança pacata.
Repleta era a alegria.

Entre as vírgulas que nos calam,
Os pontos que nos separam,
Eu desenho a velha e terna vida
Entre nós. 

sábado, 9 de junho de 2012

Eloquência

Já não digo as palavras certas,
Nem entoo novos tons.
Emudeço-me ao longo dos dias.

O peso vertiginoso da fala
Transcorre pelo corpo,
Rompe a voz em crua rouquidão.

Uma mudez que me percorre pelos sentidos,
Atando-me a constante paralisação.
Vago pelos dias em inexpressão.

Meu choro não nasce de mágoas incompletas,
Mas de vis sentimentos
Vindos de pérfidas horas distantes.

Esboçado pelas culpas pegadiças,
Apenas geradas pelo desalento
De um mundo vazio.

Eu digo vazio.
Retalhado de insatisfações,
Talhado por afirmações.

Ausente de pormenores,
Mantendo a constância
De caprichos maiores.

Desejaria o vigor emotivo,
A locomoção eloquente,
Do que a voz poente.

Sigo a orientação,
Cega e antônima,
A fim de quedar no recanto dos dias.

Aqueles ditos repetidos
Prolongam a fluência de mais outros.
Eu reverbero.

Adentro,
Nessa inaptidão rouca,
De raras palavras e muitos cárceres.