sábado, 9 de junho de 2012

Eloquência

Já não digo as palavras certas,
Nem entoo novos tons.
Emudeço-me ao longo dos dias.

O peso vertiginoso da fala
Transcorre pelo corpo,
Rompe a voz em crua rouquidão.

Uma mudez que me percorre pelos sentidos,
Atando-me a constante paralisação.
Vago pelos dias em inexpressão.

Meu choro não nasce de mágoas incompletas,
Mas de vis sentimentos
Vindos de pérfidas horas distantes.

Esboçado pelas culpas pegadiças,
Apenas geradas pelo desalento
De um mundo vazio.

Eu digo vazio.
Retalhado de insatisfações,
Talhado por afirmações.

Ausente de pormenores,
Mantendo a constância
De caprichos maiores.

Desejaria o vigor emotivo,
A locomoção eloquente,
Do que a voz poente.

Sigo a orientação,
Cega e antônima,
A fim de quedar no recanto dos dias.

Aqueles ditos repetidos
Prolongam a fluência de mais outros.
Eu reverbero.

Adentro,
Nessa inaptidão rouca,
De raras palavras e muitos cárceres.

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