sábado, 18 de agosto de 2012

Não leia

Se por acaso minhas mãos fincarem,
E então meus braços firmarem,
Não toque.

Minha voz estilhaçada, seca,
Aluviada pelas tormentas.
Não diga.

Inquieto, inapto a se conjurar
Resilente nessas passagens obrigatórias
Onde se diz haver...

A profusão das negações,
As inquietações das minhas incertezas,
As origens dos meus hiatos.

Não me reprove,
Com essas vozes altivas,
Com essa razão egoísta.

Não me prove,
Com essas frases amassadas,
Com suas ludibriações enfadadas.

Não questione,
As incertezas dos meus rumos,
O futuro dos meus paradeiros.

Se não permaneces comigo,
Leva planos consigo,
Não leia.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sem dias

                                                            Com Lucas Dantas

Sem horas pra contar,
Sem palavras pra tecer,
Sem melodia pra cantar,
Sem chão pra viver.

Sem falta pra sentir,
Sem rumo pra tomar,
Sem alegria pra sorrir,
Sem mundo pra decifrar.

Vou discorrendo o morto tempo,
Na passividade do instante,
Na constância dos embargos,
Ao som de meu peito errante.

Às margens do rio,
Persisto vagando,
Entre vidas e mortes,
Sombrio encanto.

Sem prazo pra voltar,
Sem lágrimas pra escorrer,
Sem rumo pra caminhar,
Sem saída pra viver.

Encontro o paraíso,
O embelezar da alvorada,
Na beleza de sua tolice,
Na imensidão de sua estrada.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Uma hora

Por onde andarão teus risos?
Por onde passará teu olhar?
Será que eu ainda faço parte dos teus vícios?
Ou será que eu acabei de acabar?

Talvez eu esteja no limbo,
Talvez esteja em nenhum lugar.
Provavelmente eu sou o teu vazio,
O qual já não deve ter espaço para me ocupar.

Como será que chamam o teu nome?
Como será que andam tuas tardes?
Vivo preso neste coração covarde,
Cheio de mágoas, sufocado por alardes.

Como será que ecoam as tuas palavras?
Ainda suaves ao vento?
Ou já arrematadas pelo tempo?

Como eu irei ficar?
Olvidado pelos dias;
Admirado, te vendo passar
Entre versos e linhas,
Sem poder te acompanhar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Paradeiro

Não sei de tudo,
Não sei o que passa,
Não sei o que une,
Tampouco o que separa.

Digo o que vem,
Repito o que foi.
Nesse ínterim de tempos
Eu digo o que sou.

Com essa forma de me gerar,
De me justificar,
Inerente a minha sombra.
Alva.

Nesse rumo mentecapto
Onde me torno sorvente
De meios desejos,
De sonhos póstumos.