quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sem dias

                                                            Com Lucas Dantas

Sem horas pra contar,
Sem palavras pra tecer,
Sem melodia pra cantar,
Sem chão pra viver.

Sem falta pra sentir,
Sem rumo pra tomar,
Sem alegria pra sorrir,
Sem mundo pra decifrar.

Vou discorrendo o morto tempo,
Na passividade do instante,
Na constância dos embargos,
Ao som de meu peito errante.

Às margens do rio,
Persisto vagando,
Entre vidas e mortes,
Sombrio encanto.

Sem prazo pra voltar,
Sem lágrimas pra escorrer,
Sem rumo pra caminhar,
Sem saída pra viver.

Encontro o paraíso,
O embelezar da alvorada,
Na beleza de sua tolice,
Na imensidão de sua estrada.

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