Hoje comecei um erro
Ergui alguma esperança
Do rastro, da ânsia que se prolifera em mim.
Calei alguns dias, contei algumas histórias
E boa parte de mim, ainda que eu espere,
Vai embora.
O que fica não acaba
Não morre, definha.
Vive da eterna agonia
Recai num resto de tarde,
Num resto de homem.
Em um tempo desfeito
Vivo em uma lânguida palavra
Descoordenado em um sentido
Arrematado por um momento, perdido.
Em páginas secas, como essa,
Onde um sonho se perde entre os rabiscos
Meus olhos se perderão
Como na borra do café
Que, por erro, eu comecei.