Minha nascente não se conhece
Minha origem se confunde
Meu curso se faz lento,
Minha inércia em um açude.
Em meus sulcos afundam as lembranças, as dores,
As extensões da minha voz,
Vastas, imanes.
Eis meu leito.
Me atravesso pelos meus traços,
Me perco em minhas quedas,
Caio nas minhas profundezas,
Me agarro nas minhas margens.
Da urgência, me faço em corredeiras.
Da solidão, um córrego.
Da indecisão, há intermitência.
Me espalho, estilhaço e viro outros
Sigo e caio em uma afluência.
Em meus princípios, não há fim.
Pelos estuários dos dias, transito,
Me filtro.
Me findo no deságue do mundo,
Na foz das palavras,
Onde sou tudo.
Assim me perpetuo, em águas.
Cursando a vida,
Nutrindo a existência,
Cortando a eternidade.
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