quarta-feira, 20 de março de 2013

Matéria Pobre

Eu acordara bruto em um quarto prático,
Vislumbrava seus minutos em meus segundos
A carne impotente, a carne flácida.
Não seria eu. A carne era podre.

Fechara os olhos de pálpebras abertas,
De boca aberta e pernas retorcidas
No pavor erótico das urgências ocasionais.
Me eufemizava aos poucos.

Irrefreavelmente eu partira;
Caía na condensação de meus desejos
Ou na torpe ilusão mal-fadada.
Era inútil. Eu era inútil.

Exibia-me nas minhas meninices gratuitamente
De corpo solto e monossílabo,
Numa peça gestual de ápice incólume.
Retornava a minha desolação, tão original.

Surpreendia-me a sensação tão vil,
Colateralmente tão devastadora
Que os retalhos da subconsciência me proporcionavam.
Naturalmente eu envelhecera.

Talvez depressa e pior.
Os anos, as pessoas, meu nome, eu
Havíamos todos nos tornado síntese,
Matéria pobre.

Me desfizera do gozo.
Estava atônito, suspenso por um corpo famélico.
Mas sem a fome física, e sim a de dentro,
A que corrói a alma.

Constatei.
Havia sido invadido pelo vazio,
Aquele pernicioso e envulto,
O que se esconde no seio dos intuitos.

Eu me vira, tentara me expelir,
Me projetar; cedera.
Na queda mais consistente, mais real.
Já não havia mais tempo que comportasse,
Havia apenas um quarto, e nele, eu.

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