Se apenas me cabe o medo,
Já não tenho meios.
Se desço fundo em teus próprios receios
Já não tenho forças,
Já não tenho desejos.
Me viro e caio,
Nesse peito fraco.
Me calo, pálido,
Num sorriso falho.
Me faço um,
Quando há mais três.
Eu tomo um rumo,
Sem ter minha vez.
Eu quero o não
Quando só digo sim.
Eu nasci no meio,
Empurrado em um fim.
Em algum motivo raso
Acho minha saída.
Em algum pretexto gasto,
Me ausento dessas alternativas.
Me recai o peso do ferro oxidado
Da escolha bruta,
Que escoa pela carne fria,
Na quente labuta.
Talha o rosto,
Atravessa o corpo,
Por fim desaba crua
As dobras da larga culpa.
Não seria escárnio de si
Estar em silêncio?
Não seria inconcebível
Permanecer sempre em movimento?
Cada vez melhor! Adoro os seus versos, Renan.
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